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Mónica De Miranda é uma artista cujo trabalho esboça uma paisagem de identidades culturais variadas e de múltiplas possibilidades de expressão. A linguagem do seu trabalho emerge o espectador num diálogo que se traduz em diversos idiomas. Monica de Miranda, despojada de velhas certezas, faz-se no seu lugar em movimento. Implicado numa multiplicidade de lugares, expressa o seu lugar, mesmo quando pretende fazer outra coisa. A arte está aí em fazer sensível o que permanece insensível nos lugares. Somos sempre a partir de um lugar. Um lugar situado na intersecção de milhares de linhas, tantas quantas aquelas em que somos implicados, seja impelidos seja interessados. A Geografia só poderia aí traçar mapas de um inconsciente impessoal, pré-individual, onde se moldam os nossos corpos e identidades, se determinam urbanismos e arquitecturas, penteados e formas de vestir, ruas e músicas. Onde nascemos, onde vivemos, onde morremos. Não se trata afinal da Geografia de sítios no espaço, mas de lugares onde somos também memória e sonho. Lugares a partir de onde somos o que somos, nos sítios que cruzamos. Lugares que levamos connosco na bagagem como turistas ou migrantes e os lugares que sempre encontramos ao acordar. Lugares onde somos sempre um lugar. A intensificação das conexões entre lugares e a deslocação massiva de lugares para outros lugares, exigem hoje, para que se façam sensíveis todas as forças neles implicadas, uma nova geometria temporizada, uma nova cartografia de afectos, novos meios, novas substancias, novas formas e novos códigos. É tudo isto que podemos encontrar em jogo no trabalho de Mónica de Miranda. |